Tudo que quero!
Não quero nada que pra mim não seja, Palpável, tangível, bem ao meu alcance.
Nada que me oprima, me exaure ou me lance Por um caminho que não sei qual seja.
Não quero que se um olhar mau me veja,Por silueta ou vaga nuance,E eu possa parecer alguem sem chance,
Mas que insistetemente inda peleja. Apenas quero crer que chegue um dia,Nas tantas voltas em que gira o mundo,
Eu venha conhecer a fantasia, Daquilo que na vida inteira clamo,Que é ver a eternidade de um segundo
Ser resumida em um só dizer;- Te amo!
Jenario de Fátima
Mulher Temporal
Ao encontrar seus olhos de noite,
Você, vestida de tarde, Esperando aurora encima de pedestais torturadores Teleporta-me de desejos
em descobrir seu sorriso de dia Conhecer seus segredos de madrugada
E deleitar-me com seus mistérios de ocaso...
Éric Meireles de Andrade
MEROS MORTAIS
Somos a podridão materialista,
arremessada ao jeito da incerteza.
A decisão que resta sobre a mesa é trabalho da morte calculista!
O arrojo da banal quiromancia termina em pasto à dura realidade,
pois não basta mostrar a identidade do sonho,
da esperança e da magia!
Na impulsão do viver, a preferida, de todos os destinos que se enfrente, é a desgraçada morte, é a vã partida!
É fato que estremece toda a gente, basta que o véu do luto encampe a vida de rico e livre ou pobre e dependente!
Antonio Kleber (Leia QUARENTA SONETOS SEM PECADOS - Editora Zem - RJ - 2007)